A Secretaria de Estado de Comunicação é o órgão responsável por coordenar e gerir a comunicação institucional do Governo da Espanha e sua relação informativa com os meios de comunicação
A delegação de jornalistas e acadêmicos brasileiros reuniu-se com José Manuel Nevado, Diretor do Departamento de Comunicação Institucional da Presidência do Governo, que apresentou uma visão estratégica sobre o papel da comunicação institucional em um contexto marcado pela polarização midiática, pela desinformação e pelas profundas mudanças na ordem internacional.
Durante sua intervenção, Nevado explicou o papel do Ministério da Presidência como espaço de coordenação de políticas transversais que não dependem de um único departamento, bem como a estrutura da Secretaria de Estado de Comunicação, organizada em áreas-chave como informação nacional, regional, internacional, digital e institucional. Nesse contexto, destacou a crescente complexidade do ecossistema midiático, no qual a polarização social se traduz em uma interação constante entre ideologia e credibilidade.
Um dos pontos centrais foi a defesa do equilíbrio entre a liberdade de imprensa e o combate à desinformação. Nesse sentido, destacou o papel do European Media Freedom Act (EMFA), voltado a reforçar a transparência na propriedade e no financiamento dos meios de comunicação, bem como a garantir sua independência. Nevado alertou ainda para a origem crescente de campanhas de desinformação em atores estatais e seu impacto nas democracias europeias.
A análise foi ampliada para o contexto geopolítico global, marcado por uma transformação da ordem internacional e por um clima de incerteza. Nevado apontou para uma crescente competição entre modelos econômicos e para a reconfiguração de alianças internacionais. Nesse cenário, identificou novas oportunidades de cooperação para a Europa com países como India e Australia, bem como a necessidade de reforçar a autonomia estratégica europeia.
Também foram abordados os efeitos dos conflitos internacionais sobre a Europa, incluindo riscos associados a rotas estratégicas como o Estrecho de Ormuz e seu potencial impacto em setores industriais-chave. Em paralelo, destacou-se o papel de atores regionais no Oriente Médio e a evolução dos equilíbrios de poder que condicionam a estabilidade global.
No âmbito interno, Nevado ressaltou o impacto do “ruído midiático” e o papel crescente dos influenciadores na formação da opinião pública, muitas vezes acima dos meios tradicionais. Nesse contexto, sublinhou a importância de reforçar a consciência cidadã sobre a defesa da democracia e de melhorar os canais de comunicação institucional para reconectar-se com a sociedade.
O Diretor também analisou as dinâmicas políticas tanto na Europa quanto na América Latina, destacando fenômenos como a polarização, a desconexão entre áreas urbanas e rurais e a ascensão de novas correntes ideológicas. No caso espanhol, apontou as complexidades da governabilidade em um sistema de coalizão, no qual a negociação constante condiciona a ação política, bem como o papel dos meios de comunicação na percepção pública de questões-chave como a habitação ou as políticas sociais.
Em relação à América Latina, foi destacada a preocupação com o giro político em alguns países da região e a necessidade de compreender melhor suas dinâmicas internas, incluindo fatores sociais e culturais como o crescimento de movimentos religiosos. Nesse contexto, ressaltou-se a relevância do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, cujo potencial estratégico, segundo Nevado, ainda não foi suficientemente valorizado.
Por fim, o encontro destacou a importância de reforçar as relações bilaterais, especialmente com o Brasil, evidenciando sua independência estratégica e seu papel como parceiro-chave em um cenário internacional cada vez mais multipolar. Nesse sentido, foi valorizada a sintonia entre o presidente do Governo, Pedro Sánchez, e o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, em torno de prioridades como a redução da desigualdade e o fortalecimento do Estado de bem-estar social.
O encontro foi concluído com uma reflexão compartilhada sobre a necessidade de adaptar a comunicação institucional a um ambiente em transformação, reforçar a resiliência democrática e aproveitar as oportunidades de cooperação internacional, em particular no espaço ibero-americano, em um momento de profundas mudanças globais.
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