Organizado juntamente com as Fundações Conselho Espanha-Colômbia e Espanha-Peru, com o apoio da Prosegur
No último dia 17 de junho, realizou-se em Madri o Seminário Internacional «Segurança integral: um perímetro que se expande», organizado pela rede de Fundações Conselho Ibero-Americanas (Espanha-Peru, Espanha-Colômbia e Espanha-Brasil), com o apoio da Prosegur. O encontro, que contou com a participação de especialistas, empresas e representantes institucionais da Espanha, do Brasil, da Colômbia e do Peru, analisou a crescente convergência entre a segurança física e a digital, em um contexto marcado pela hostilidade geopolítica e pelo hiperdesenvolvimento tecnológico, bem como por uma criminalidade organizada cada vez mais transnacional.
A sessão institucional de abertura contou com a participação do Secretário-Geral das Fundações Conselho Ibero-Americanas, Rafael Garranzo; do Secretário-Geral da Prosegur, Antonio Rubio; e do Diretor do CITCO, General de Brigada Francisco Javier Marín Lizárraga. Rafael Garranzo recordou que as Fundações Conselho são entidades público-privadas sem fins lucrativos e representam um dos principais instrumentos de diplomacia pública da Administração espanhola. Destacou ainda o seu papel na geração de oportunidades de negócios, contatos e, sobretudo, diagnósticos compartilhados sobre a realidade de cada país, defendendo igualmente a proteção das instituições democráticas, a capacidade de antecipação e a cooperação público-privada como eixos de resposta.
O General Marín Lizárraga apresentou o enquadramento conceitual do seminário, assinalando que a separação tradicional entre o físico e o digital já não existe e que o ciberespaço constitui hoje um ambiente cotidiano cujas disrupções impactam diretamente a realidade. Revisou a Estratégia de Segurança Nacional 2021 e a Estratégia Europeia de Segurança Interna 2025, tendo as diretivas NIS2 e CER como marcos complementares, refletindo sobre a assimetria na velocidade de inovação entre os setores público e privado, bem como sobre os dilemas éticos do desenvolvimento tecnológico. Defendeu a supervisão humana efetiva, a auditabilidade dos algoritmos e a educação para o pensamento crítico diante da desinformação. Antonio Rubio, por sua vez, apresentou uma leitura geopolítica e geoeconômica do momento atual, alertando para a rapidez com que o mapa da criminalidade na região está mudando — com o Equador tornando-se o país mais violento e a transformação de El Salvador servindo de contraponto — e ressaltando que o crime organizado ligado ao narcotráfico já não é apenas um problema de segurança, mas também de defesa, com um custo estimado entre 3,4% e 3,5% do PIB regional.
A conferência inaugural, que levava o mesmo título do seminário, foi ministrada por José María Blanco, Diretor da Prosegur Research, que defendeu a necessidade de substituir o conceito de «perímetro» pelo de «ecossistema» e de adotar uma visão de segurança simultaneamente tecnológica e humana. Tomando como exemplo o maior ciberataque já registrado contra o sistema financeiro brasileiro — no qual a venda das credenciais de um funcionário resultou em uma fraude próxima de 148 milhões de dólares —, ilustrou a fusão entre os mundos físico e cibernético para recordar que o elo mais vulnerável costuma ser o fator humano. Também destacou a colaboração público-privada como condição indispensável para o desenvolvimento da região.
A primeira sessão, intitulada «Um perímetro que se expande: novas ameaças, novas capacidades», contou com a participação de Roberto Espina, Diretor Global de Cibersegurança do Grupo Indra (Espanha), que abordou a resiliência em ambientes interconectados, o perímetro híbrido, a tecnologia dual, a inteligência artificial como ferramenta e superfície de ataque, além da soberania tecnológica; Alexandre Tavares, Corporate Security and Crisis Manager da ABB (Brasil), centrou sua intervenção nas novas ameaças e capacidades relacionadas à logística e aos centros de dados, bem como na necessidade de manter a operação mesmo sob ataque; Javier Mezquida, Security, Emergency and Crisis Manager Regional da Essity (Colômbia), analisou as ameaças à logística, à distribuição e aos produtos de saúde e bem-estar, bem como a interrupção organizada das cadeias de suprimentos; e Miguel Marí, Chief Security Officer da Naturgy (Espanha), apresentou os novos desafios de segurança no setor de energia e a evolução do conceito de infraestrutura para entidade crítica. Os participantes concordaram quanto à necessidade de marcos regulatórios ágeis, adaptados à realidade de cada país e construídos com base em critérios técnicos especializados, bem como na importância de impulsionar a transposição da diretiva NIS2 e fortalecer as pequenas e médias empresas como elo fundamental da cadeia de segurança.
A segunda sessão, «Gestão integral da segurança», foi moderada por Puerto González, Responsável por Security Intelligence da Prosegur, e contou com a participação de Milena Patiño-Villa, PhD, Global Head of Geopolitical Risk & Strategic Intelligence do BBVA (Espanha), que abordou as zonas cinzentas entre o físico e o digital e a coordenação no setor bancário com uma perspectiva latino-americana, identificando como principais desafios a identidade, os terceiros e os insiders; Herbert Calderón, Diretor de Segurança Patrimonial do Consórcio Construtor do Metrô de Lima (Peru), que compartilhou sua visão sobre segurança em projetos de engenharia voltados para construção, energia e mineração, destacando a integração e a comunicação assertiva como fatores-chave; e Guillermo Llorente, Diretor Corporativo de Segurança da Mapfre (Espanha), que apresentou um modelo integral baseado em arquitetura, governança e resultados, colocando as pessoas e a continuidade dos negócios no centro da proteção. Os participantes coincidiram na importância de estabelecer uma linguagem comum de riscos entre áreas e países e no valor da gestão de crises como momento em que se demonstra o verdadeiro papel da segurança.
O seminário, realizado de forma presencial e virtual, com conexões a partir do Brasil, da Colômbia e do Peru, evidenciou a importância da cooperação diante dos desafios compartilhados em matéria de segurança e refletiu o compromisso das Fundações Conselho Ibero-Americanas e da Prosegur com a construção de um ambiente de confiança que permita a empresas, instituições e cidadãos enfrentar os desafios do presente com maiores garantias. O Secretário-Geral da Prosegur agradeceu a presença de todos os participantes e manifestou o desejo de que esses seminários continuem sendo realizados ano após ano.
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